O
deputado estadual Wilson Santos (PSD) defendeu que o Governo de Mato Grosso
assuma o papel de indutor do processo de industrialização das cadeias
produtivas do estado, com o objetivo de agregar valor à matéria-prima,
diversificar a economia e ampliar a oferta de empregos com melhores salários. A
manifestação ocorreu nesta segunda-feira (19), durante audiência pública na
Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), que debateu o Projeto de Lei nº
692/2026, referente à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 (PLDO 2027).
Durante
a apresentação do monitoramento dos riscos fiscais, conduzida pelo secretário
de Estado de Fazenda, Fábio Pimenta, o parlamentar demonstrou preocupação com a
queda dos preços das commodities no mercado internacional e os reflexos desse
cenário na arrecadação estadual. Para ele, a dependência da exportação de
produtos primários torna a economia mato-grossense vulnerável às oscilações do
mercado externo.
“Esse
é um grande risco que toda a economia voltada para produtos primários, voltada
para a exportação, corre. Daí, nós precisamos industrializar o estado e
transformar essa matéria-prima em algo menos arriscado. Ninguém tem mais
matéria-prima e condições de transformar do que nós. Quem manda no preço da
soja é a Bolsa de Chicago e a China. Nós dependemos muito mais deles do que
nós. Construir uma economia mais segura é o caminho da industrialização”, explicou
Wilson Santos.
O
deputado citou a necessidade de avançar no processamento industrial de
matérias-primas produzidas em Mato Grosso e mencionou as cadeias do algodão e
do calçado como possibilidades de desenvolvimento. Ele defendeu que o estado
estabeleça uma política estruturada para atrair e desenvolver indústrias, com
metas que permitam avaliar os resultados ao longo dos próximos quatro anos.
Na
sequência, o secretário Fábio Pimenta concordou com a importância estratégica
da industrialização e citou setores nos quais Mato Grosso ampliou o
processamento da produção. “Não tenho dúvidas. É o nosso principal objetivo
econômico e estratégico: o desenvolvimento da indústria. Defendemos e adotamos
políticas. Já tivemos sucesso em vários setores. A exemplo do milho, que nós
exportávamos 80% da nossa produção e, hoje, quase metade da produção já estamos
processando internamente em Mato Grosso, mas também o setor de carnes. Mato
Grosso é um grande produtor de carne bovina e de frango. No biodiesel, somos,
junto com o Rio Grande do Sul, os maiores produtores nacionais. E estamos
buscando, inclusive, diversificar a economia em outros setores”, justificou.
O
parlamentar, no entanto, ponderou que o avanço da produção de etanol de milho
no estado ocorreu principalmente pela iniciativa privada, especialmente de
investidores internacionais e cobrou uma atuação mais efetiva do poder público
na condução de uma política de industrialização. “Quando faço essa provocação é
que o estado precisa ser o indutor desse processo. Espero que, com a posse do
governador Otaviano, em fevereiro de 2027, ele apresente a sua proposta para
industrializar o estado como indutor. Nós temos que ter uma proposta para as
indústrias internacionais e nacionais. Se não, vamos viver a vida inteira de
latifúndio, monocultura e visando o mercado externo. Isso fazíamos há 500 anos
atrás com a cana, com o café e com a borracha. É preciso diversificar, dar
emprego de qualidade e bons salários. Mato Grosso tem uma concentração de renda
estúpida”, frisou Wilson Santos.
Ao
concluir a discussão sobre o tema, Fábio Pimenta destacou a importância da
parceria entre o Executivo e o Legislativo para o aperfeiçoamento das políticas
públicas voltadas ao desenvolvimento econômico. O secretário também citou o
Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic)
como instrumento de incentivo à atividade industrial, ao desenvolvimento e à
geração de empregos. “Sempre faremos ajustes, inclusive contamos com a
Assembleia Legislativa, em eventual evolução, como sempre foi parceira do
Estado”, finalizou.
