Wilson Santos faz balanço da expedição no Rio Cuiabá e destaca união de ribeirinhos contra hidrelétricas

O deputado estadual Wilson Santos (PSD) fez um balanço dos dois primeiros dias da 3ª Expedição Fluvial pelo Rio Cuiabá, 9 e 10 de março, iniciativa que percorre comunidades ribeirinhas com o objetivo de dialogar com a população, fiscalizar questões ambientais e debater o futuro do principal curso d’água que abastece a Baixada Cuiabana.

Até o momento, a comitiva já passou por municípios como Rosário Oeste, Acorizal, Cuiabá, Várzea Grande, Nobres e Chapada dos Guimarães, onde foram realizadas reuniões com pescadores, lideranças comunitárias e autoridades políticas e locais.

Segundo o parlamentar, um dos principais pontos observados durante os encontros foi a posição praticamente unânime das comunidades ribeirinhas contra a instalação de usinas hidrelétricas no rio. “As populações ribeirinhas estão unidas contra a possibilidade de usinas hidrelétricas no Rio Cuiabá. Os pescadores ainda sofrem até hoje com os impactos da barragem de Manso e não querem reviver esse pesadelo”, afirmou.

Outro aspecto destacado pelo deputado foi o estado de conservação das margens do rio. De acordo com ele, a expedição identificou que grande parte da mata ciliar segue preservada ao longo do trajeto percorrido. “Posso afirmar que mais de 99% das margens do Rio Cuiabá estão preservadas e intactas. Onde houve retirada da vegetação natural, a própria natureza ou ações das prefeituras promoveram a recomposição”, destacou.

Apesar do cenário positivo em relação à vegetação, o parlamentar também apontou preocupações. Entre elas, o grande número de tablados instalados no trecho entre a barragem de Manso e a região de Bonsucesso, em Várzea Grande, muitos utilizados para a prática de ceva com grãos como milho e soja. Segundo ele, foram identificados cerca de 800 tablados ao longo de pouco mais de 300 quilômetros do rio, o que exige atenção e fiscalização por parte dos órgãos ambientais e das prefeituras.

Durante as reuniões nas comunidades, outro tema recorrente foi a necessidade de regularização de pescadores que desejam atuar também como piloteiros. A Marinha do Brasil se comprometeu a retornar a algumas localidades para auxiliar no processo de documentação e certificação desses trabalhadores.

A segurança na navegação também foi abordada. Wilson Santos alertou para o baixo uso de coletes salva-vidas por parte de pescadores e moradores que utilizam embarcações no rio, prática que aumenta os riscos de acidentes.

Outro ponto levado às comunidades foi o avanço do Plano da Bacia Hidrográfica do Rio Cuiabá, estudo conduzido pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Cuiabá com apoio da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O diagnóstico já foi concluído e o documento deverá apresentar metas e diretrizes para a gestão do rio pelos próximos 20 anos.

A expedição também tem servido para reforçar a luta dos pescadores profissionais pelo pagamento do seguro-defeso. O deputado criticou o atraso no repasse das parcelas por parte do governo federal e afirmou que a categoria enfrenta dificuldades agravadas por mudanças recentes na legislação estadual da pesca. “Os pescadores profissionais de Mato Grosso têm sido vítimas de falta de planejamento e de insensibilidade social. São mais de 16 mil famílias que dependem da pesca e aguardam o pagamento do seguro-defeso”, afirmou.

Além dos municípios já visitados, a expedição fluvial seguirá pelos municípios de Santo Antônio de Leverger, Barão de Melgaço e Poconé. A iniciativa será concluída no dia 13 de março, após uma série de visitas às comunidades ribeirinhas, ações de fiscalização ambiental e diálogo direto com a população que depende do rio.

A comitiva da expedição é formada por representantes da UFMT, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema), da Marinha do Brasil – por meio da Capitania Fluvial de Mato Grosso –, do Batalhão da Polícia Militar de Proteção Ambiental, do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Cuiabá e da Associação do Segmento da Pesca de Mato Grosso (ASP).

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