A 3ª Expedição Fluvial pelo Rio Cuiabá chegou ao município de Poconé nesta quinta-feira (12), com reunião na Câmara Municipal de Vereadores, em que reuniu pescadores, lideranças políticas e locais, representantes do poder público e da sociedade civil para discutir temas ligados ao saneamento básico, conservação ambiental e os desafios enfrentados pelas comunidades ribeirinhas. O encontro foi conduzido pelo deputado estadual Wilson Santos (PSD), que destacou a importância de ampliar o debate sobre os impactos ambientais e sociais no rio que atingem os municípios da Baixada Cuiabana.
O parlamentar ressaltou que a expedição – que iniciou no dia 9 de março, tem permitido ouvir diretamente as comunidades ribeirinhas de diferentes municípios e compreender os desafios enfrentados por quem depende do rio para sobreviver. Segundo ele, ao longo do percurso iniciado na barragem da Usina Hidrelétrica de Manso, foi possível constatar que a mata ciliar permanece preservada em grande parte do trajeto mas, também, foram identificados problemas como o descarte irregular de lixo nas margens do rio e os impactos históricos provocados por empreendimentos hidrelétricos.
Wilson Santos também alertou para a necessidade de maior responsabilidade na gestão das águas superficiais da região, destacando que a Baixada Cuiabana possui limitações em reservas subterrâneas e depende diretamente da preservação dos rios para garantir abastecimento e qualidade de vida à população.

Um dos momentos centrais do encontro foi a fala do engenheiro hidráulico e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Rafael Petrollo de Paes, que abordou os desafios do saneamento básico nos municípios da bacia do Rio Cuiabá. Ele destacou que o estudo conduzido pela universidade há quase quatro anos deverá apresentar ainda neste ano – um diagnóstico detalhado da bacia hidrográfica, analisando aspectos como clima, cheias, qualidade da água, impactos ambientais e lançamento de esgoto nos rios.
O pesquisador acrescenta que o levantamento representa a primeira radiografia completa da bacia do Rio Cuiabá após mais de três séculos de ocupação humana na região. O trabalho analisou mais de 30 variáveis ambientais e deverá orientar ações de planejamento e gestão das águas para as próximas décadas.Rafael também chamou atenção para a necessidade dos municípios estruturarem seus planos de saneamento básico e elaborarem projetos técnicos capazes de viabilizar investimentos em abastecimento de água e tratamento de esgoto. De acordo com ele, sem planejamento e projetos estruturados, as cidades encontram dificuldades para acessar recursos estaduais e federais destinados à infraestrutura.
O presidente da Colônia de Pescadores Z-11 de Poconé, Moacir Bento Ribeiro de Carvalho, manifestou preocupação com a situação dos pescadores profissionais e fez um apelo por maior atenção das autoridades. Ele destacou que cerca de 700 famílias do município dependem diretamente da atividade pesqueira e enfrentam dificuldades diante das restrições impostas à pesca e da falta de pagamento do seguro-defeso.
O prefeito de Poconé, Jonas Moraes (Podemos), também participou do encontro e ressaltou a importância do debate para a preservação do Pantanal Mato-grossense, destacando que a conservação das águas é essencial para garantir o equilíbrio ambiental e o desenvolvimento econômico da região.

A audiência pública contou ainda com a presença da vice-prefeita Camila Silva, vereadores, secretários municipais e lideranças comunitárias, além de representantes de instituições que integram a comitiva da expedição que segue percorrendo municípios da bacia do Rio Cuiabá até essa sexta-feira (13) – em direção ao Porto Jofre – na divisa entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, promovendo encontros com comunidades ribeirinhas e autoridades locais para discutir a preservação ambiental, o desenvolvimento sustentável e as políticas públicas voltadas aos pescadores e moradores da região.