FRAUDES
O deputado estadual Wilson Santos (PSD) usou a tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), nesta quarta-feira (15), para abordar sobre a Operação Fugazi, deflagrada pela Polícia Federal para aprofundar as investigações sobre um grupo econômico suspeito de utilizar operações de crédito consignado e cartão de crédito consignado para praticar, em tese, fraudes contra servidores públicos, aposentados e pensionistas mato-grossenses.
A operação cumpre 13 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, expedidos pela Justiça Federal em Mato Grosso. A decisão judicial também determinou o sequestro de bens móveis e imóveis e o bloqueio de valores e ativos financeiros dos investigados. “A Justiça Federal mato-grossense acaba de determinar busca e apreensão em bancos que vêm roubando há anos servidores públicos de Mato Grosso. A informação que eu tenho aqui, lá em São Paulo, a polícia amanheceu lá atrás do grupo Capital Consig, que nós cansamos de denunciar nesta tribuna. E, também, Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Foi juiz federal de Cuiabá que determinou busca e apreensão da Capital Consig que tem por trás o Banco Master”, declarou o parlamentar.
De acordo com informações divulgadas pela Polícia Federal, a investigação apura indícios de que empresas integrantes do grupo investigado teriam estruturado operações financeiras apresentadas aos consumidores como cartão de crédito consignado, mas que, na prática, funcionariam como empréstimos consignados. As operações envolveriam juros elevados e mecanismos que dificultariam a quitação das dívidas e poderiam ocasionar o aumento do saldo devedor.
Durante a sua fala, Wilson Santos voltou a denunciar o impacto dos consignados na renda dos servidores estaduais e afirmou que o superendividamento comprometeu o mínimo necessário para a manutenção de milhares de famílias. “Estupraram coletivamente os servidores públicos de Mato Grosso. Primeiro, ele foi levado de maneira fria, planejada, a um superendividamento sem precedentes na história do serviço público. Depois disso, abriram a porteira para mais de 30 bancos e sociedades de créditos. São mais de 60 mil servidores que foram abusados, enganados, ludibriados e estuprados por parte do Sistema Financeiro Nacional, por escritórios de advocacia de Mato Grosso e vários estados onde estão as sedes destes bancos e sociedades de créditos, fintechs, que praticaram juros de 4% a 5% ao mês e alguns destes crápulas em 6% contra o servidor que não conseguiu ter o mínimo existencial para pagar as contas, para garantir a sua sobrevivência e de sua família”, ressaltou.
O deputado avaliou que o avanço da investigação representa uma esperança de reparação aos servidores públicos que tiveram parte significativa dos salários comprometida pelas operações financeiras. “A Justiça tarda, mas chega. Ainda há magistrados honestos, corajosos, homens públicos que têm vocação para a vida pública, que não vêm para se enriquecer e, sim, verdadeiramente defender o povo. E, na crença destes dias, esperamos que a Justiça seja feita e, em breve, boa parte do que foi tirado dos bolsos dos servidores de Mato Grosso seja devolvido, como aconteceu em outros estados como Amapá, Amazonas, Goiás e Minas Gerais, que passaram por esse deserto outros servidores”, disse.
Alvos da Operação – Em um segundo momento, Wilson Santos voltou à tribuna e, em nome do Bloco Experiência e Trabalho, citou como alvos da operação os empresários Marcolino Medeiros Junior, Roberto Arduini Gomes Teixeira, Sven Stefan Padre Kuhn, Caspar Heinrich Menke, Yim Kyu Lee e Henrique Souza e Silva Peretto. Ele também mencionou a Capital Consig, Clickdigital Participações S.A., Clickbank Instituição de Pagamentos Ltda., Bemcardes Benefícios S.A., ABCCARD Cartões Ltda., Quiz Holding Ltda. e Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A.
Desde 2025, o parlamentar mantém forte atuação na pauta dos consignados e no combate ao superendividamento dos servidores públicos estaduais, situação que considera um dos maiores escândalos da história do funcionalismo público de Mato Grosso. Ele participou de debates, reuniões e medidas voltadas à apuração das operações financeiras e à busca de alternativas para proteger a renda dos trabalhadores e está entre os deputados que assinaram a proposta para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa com a finalidade de aprofundar as investigações sobre os consignados.